'Lincoln', filme de Steven Spielberg - análise astrológica e outros comentários cinematográficos

27 de fevereiro de 2013 ·




INFORMAÇÃO AO LEITOR
Quem, por qualquer motivo, estiver interessado apenas
na análise astrológica, pode ir directo até à parte final deste artigo
e iniciar a leitura onde diz, isso mesmo: 'Análise astrológica'.

Para os estudantes de astrologia:
Para além da astrologia, introduzi no texto dezenas de links,
de âmbito histórico ou cinematográfico, para permitir que possa ser
um objecto de estudo aprofundado.


«Lincoln» é uma adaptação do livro biográfico «Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln», de Doris Kearns Goodwin, mas em vez de retratar toda a vida do presidente norte-americano Abraham Lincoln [PT - em português] centra-se apenas nos seus últimos quatro meses de vida, nomeadamente na abolição da escravatura e no fim da Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão. A votação renhida na Câmara dos Representantes pela 13ª Emenda [PT], que ilegaliza a escravatura, é um dos pontos centrais do filme.

Site do filme, aqui.
O filme da Wikipedia, aqui.
O filme no IMBD, aqui.
O filme no Facebook, aqui.

Começo já por afirmar, para não criar equívocos, que gostei moderadamente do filme, apesar de ter uma admiração especial por Steven Spielberg. Não creio que seja um filme fantástico, e nem me seduziu ao ponto de poder afirmar que é um  dos filme da minha vida, como por exemplo, posso afirmar de boca cheia em relação ao notabilíssimo «A Cor Púrpura». Longe disso. Não é, tal como «Amistad» não foi. Assim como  «As Aventuras de Tim Tim» também não o foi. E muitos outros, como a «Guerra dos Mundos», por exemplo. São filmes bem feitos, competentes, com bom ofício, mas longe do fulgor intenso de outros filmes, antigos ou mais recentes. Estes filmes mais recentes são tão 'sérios' que roçam quase o aborrecimento. Apesar disso, estes filmes são fontes de ingressos de bilheteira multi-milionários, por serem de quem são e «Lincoln» não fugirá à regra. Será um filme mais apreciado dentro do território americano, do que a nível global. Apesar de ter sido um mau sintoma que nos Oscar 2013, de 12 candidaturas só tenha conquistado duas estatuetas. Isto deve querer dizer qualquer coisa. Foi pensado para ser um filme para encantar o americano. E reúne condições para isso. É um filme próprio de uma presidência como a de Obama. Com dois temas fascinantes - a abolição da escravatura, e como consequência, a Guerra Civil Americana,  o filme reunia condições para ser uma obra dinâmica, mas perdeu-se algures na discussão política e de costumes da época.

Já que mencionei alguns filmes de Steven Spielberg  é fundamental recordar-me de outras obras que amei: «Tubarão», «Encontros Imediatos de 3º Grau», «1941», o «ET», claro, a série de Indiana Jones, mas também um grande, enorme filme, uma autêntica obra de arte, a todos os níves: «A Cor Púrpura» [The Purple Colour]. Sem esquecer belos filmes como «O Império do Sol», «O Resgate do Soldado Ryan», «Jurassik Park» e o fabuloso «A Lista de Schindler». Isto, para lembrar apenas alguns em que ele foi o realizador / director. Se olhássemos para a sua obra como produtor, esta lista triplicaria.


O filme, das 12 candidaturas aos Oscar, ficou-se apenas 
como o ganhador de duas estatuetas, por isso foi considerado
grande perdedor dos Oscar 2013.


Daniel Day-Lewis [Londres, 29 Abril 1957], [«Meu Pé Esqerdo» e «Haverá Sangue»] já tinha ganho dois Oscars, e conquistou o 3º Oscar de Melhor Actor com «Lincoln», proeza que o colocou na categoria de triplo vencedor ao lado de Ingrid Bergman, Walter Brennan, Jack Nicholson e Meryl Streep. Katharine Hepburn é a recordista com quatro prémios. Nunca é demais realçar que 'estatísticas' não fazem 'arte'. Há muitíssimos bons actores que nunca receberam nenhum Oscar. A vantagem para o actor é a subida vertiginosa nos seus cachets futuros.

Com Sally Field [6 Novembro 1946 - 4h23 - Pasadena, California, USA], [«Norma Rae» e «Um Lugar no Coração»] passava-se o mesmo. Já tinha 2 Oscar e se tivesse ganho a sua candidatura com «Lincoln», ficaria no restrito panteão da glória dos ganhadores de 3 estatuetas.

Steven Spielberg já foi nomeado sete vezes na categoria de melhor realizador e venceu por duas vezes. Se tivesse ganho o terceiro Oscar igualaria Frank Capra e William Wyler. John Ford continua a ser o mais premiado com quatro Oscar nesta categoria.




Steven Spielberg

Na foto, à direita, Steven Spielberg na companhia de Daniel Day-Lewis
[Londres, 29 Abril 1957] o actor britânico que interpreta o papel de
Abraham Lincoln
Steven Spielberg
18 Dezembro 1946
18:16
Cincinnati, Ohio, USA
[Standard time, 5h West time zone]
39 N 09'43''   84 W 27'25''

Sol em Sagitário, Lua em Escorpião e Ascendente em Caranguejo.

Mapa natal de Steven Spielberg.
Clicar para aumentar e ver melhor.

Abraham Lincoln
[ver Wikipedia]

Retrato de Abraham Lincoln, de 1858.
Abraham Lincoln
12 Fevereiro 1809
6:54
Hodgenville, Kentucky, USA
[Local mean time]
37 N 34'26''   85 W 44'24''

Foi o 16º Presidente dos Estados Unidos, de Março de 1861,
até ao dia em que foi assassinado, a 15 de Abril de 1865.

Mapa natal de Abraham Lincoln,
Clicar para aumentar e ver melhor.


Época real que é retratada no filme:
Washington, de Dezembro 1864 a 15 Abril 1865
38 N 53'42''   77 W 02'12''
[Local mean time]


Estreia mundial do filme


Na foto, da esquerda para a direita: a actriz Sally Field, o guionista Tony Kushner, o director/produtor  Steven Spielberg,  o actor Daniel Day-Lewis, a produtora Kathleen Kennedy e a autora do livro Doris Kearns Goodwin na estreia oficial do filme «Lincoln», no Grauman's Chinese Theatre, a 8 Novembro 2012, em Hollywood. Produção e distribuição de: DreamWorks II Distribution Co., LLC e Twentieth Century Fox Film Corporation. (Foto by Eric Charbonneau/WireImage)

8 Novembro 2012 - 20h30
Hollywood, California, USA
34 N 05'54''   118 W 19'33''


Cerimónia de atribuição do Oscar em 2013



85ª cerimónia do Oscar
Academia de Artes e Ciências Cinematográficas
(Academy of Motion Pictures Arts and Sciences - AMPAS)
 No Dolby Theatre
(antigo Kodak Theatre)

24 Fevereiro 2013 - 19h00
[a red carpet começou às 17h00]
Los Angeles, California, USA
34 N 03'08''   118 W 14'34'


Acima: vários prémios conquistados pelo filme, até aos Oscares 2013.


Diálogo numa cena do filme:

- "Mrs. Lincoln." Tommy Lee Jones como Thaddeus Stevens.
- "Madam President, if you please." Sally Field como Mary Todd Lincoln.


Análise astrológica

«Lincoln», filme de Steven Spielberg - análise astrológica



Análise da vitória de Daniel Day-Lewis 

Antes de avançar com o filme propriamente dito, e já que Daniel Day-Lewis ganhou a estatueta de Melhor Actor no Oscar 2013, vou escrever aqui algumas linhas sobre a conjuntura astrológica do actor.

Daniel Day-Lewis nasceu em Londres, 29 Abril 1957, não se sabe a hora de nascimento, por isso não se podem analisar as Casas dos seus mapas. No início da cerimónia [24 Fev 2013 - 19h00 - Los Angeles] a Lua dos Oscars, magnífica em Leão, a exigir reconhecimento, palco e um enorme holofote apontado para o actor, fazia uma magnífica conjunção ao Plutão do actor, a dar-lhe um poder imenso, obtido no final da cerimónia com os mais de 3.000 presentes a aplaudirem de pé e as televisões a transmitirem para mais de 1 bilião de pessoas em todo o mundo.

Senhores professores de astrologia, para explicarem a Lua em Leão, nada como usarem este exemplo na vida de Daniel Day-Lewis. A mesma Lua fazia um excelente trígono à Lua natal do actor, em Touro [ele emocionou-se muito] e um sextil a Marte em Gémeos [energia bem conduzida]. Júpiter, o expansivo, em Gémeos, fazia um semi-sextil ao Sol em Touro, a reforçar aquela magnífica Lua. A terminar, apenas para realçar que o Plutão dos Oscares, em Capricórnio fazia dois trígono, um ao Sol do actor,  e outro a Vénus, ambos em Touro a conferir poder e encantamento, forçando Saturno a comportar-se muito bem, apesar de alguns aspectos mais dissonantes.

«Lincoln», o filme

«Lincoln» tenta retratar os últimos quatro meses de vida do presidente americano Abraham Lincoln [PT - em português]  nomeadamente na abolição da escravatura e no fim da Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão  A votação renhida na Câmara dos Representantes pela 13ª Emenda [PT]  que ilegaliza a escravatura, é um dos pontos centrais do filme.

É uma obra muito bem contada, mas que lhe falta a 'mão fulgurante' de Spielberg, mostrando-nos apenas a sua enorme capacidade no ofício cinematográfico. Começo já por afirmar que gostei moderadamente do filme. No entanto, não creio que seja um filme fantástico, e não me seduziu ao ponto de poder afirmar que é um dos filmes da minha vida. Não é, não.

Fiquei surpreendido na longa noite dos Oscares 2013 [para quem vive na Europa, é uma longa noite] ao constatar que o filme «Lincoln» de Steven Spielberg, candidato a 12 estatuetas, terminou o evento como o grande perdedor da noite, com apenas 2 estatuetas. Fiquei surpreendido, de facto, porque não olhei para a relação entre o mapa de Steven Spielberg e o mapa do evento em si, os Oscares 2013. Se o tivesse feito, teria percebido que as coisas não iriam correr bem para o cineasta. Mas fiei-me na fama do director e, sobretudo no personagem central da obra: o 16º Presidente da América, Abraham Lincoln, que é uma figura fascinante. Aqui foi óbvio que a minha condição de cinéfilo foi superior à minha curiosidade astrológica. O que fiz depois, poderia ter feito antes: relacionar os dois mapas. É a aprendizagem de se viver em harmonia.

Os 2 prémios atribuídos ao filme foram um para Daniel Day-Lewis com o Oscar de Melhor Actor e um prémio técnico, para 'Production Designer - Direcção de Arte' [Rick Carter e Jim Erickson], bem merecido, por sinal. As premiações anteriores ao Oscar, foram todas para os actores: o Golden Globe, o Screen Actors Guild e o Critics Choice foram para Daniel Day-Lewis. Tommy Lee Jones também foi premiado pelo Screen Actors Guild, como Melhor Actor Codjuvante. O filme também é um sucesso comercial, tendo arrecadou até à data dos Oscares, mais de 244 milhões dólares em bilheteira. Imagine-se quando passar para DVD, downloads em tv por cabo ou passar nos canais generalistas de televisão. E, claro, toda a merchandising à volta do assunto.

O mapa dos Oscares 2013 [24 Fevereiro 2013 - 19h00 - Los Angeles, California - USA - 34 N 03'08''   118 W 14'34'] não estava nada favorável ao mapa de Spielber [18 Dezembro 1946 - 18:16 - Cincinnati, Ohio, USA - 39 N 09'43''   84 W 27'25''], que das duas uma, ou aprendeu uma lição de vida, ou ainda está a analisar o que lhe aconteceu. Bom, isto para uma criatura comum poderia ser ficar na penúria, não é o caso para Spielberg, que continuará a ver as suas receitas a entrarem com regularidade. Apenas o ego foi abalado.

Se analisarmos o Saturno do mapa dos Oscares e o que está a fazer ao mapa de Stevem Spielberg é caso para dizermos que um problema nunca vem só. Vejamos: esse Saturno faz uma semi-quadratura ao Sol de Spielberg [simplificando: a abanar o ego], a afastar-se de uma forte conjunção à Lua [uma enorme dor de alma], uma quadratura a Saturno [mas então quem é que manda aqui?] e uma quadratura a Plutão [daqui não passas], muitos assuntos cármicos a serem resolvidos, eventualmente com o próprio Abraham Lincoln [especulando]. Também vai a caminho de uma conjunção com Júpiter, claramente a avisar que as coisas serão feitas como Cronos [Saturno] entende e não da forma grandiosa de Zeus [Júpiter]. Mas temos o Plutão do evento a fazer uma quadratura a Neptuno de Steven Spielberg, dizendo-lhe que não era hora de sonhar; bem mais eficaz era a oposição que Plutão fazia ao Ascendente do cineasta, a paralisar o que estivesse em andamento. Esta é uma breve leitura e não tenho espaço para mais.

É difícil escapar ao peso histórico do tema do filme, fazendo que não haja espaço para fugir ao peso dos acontecimentos conhecidos. «Lincoln» não foge a esta regra, apesar do notável esforço feito pelo actor Daniel Day-Lewis, para tornar este personagem mais humano, mais multidimensional, na sua qualidade de 16º Presidente do EUA, que ainda por cima conseguiu abolir a escravidão e terminar a Guerra Civil, tendo sido assassinado semanas depois.

Esta é a parte central da minha visão: Parece que Spielberg, sempre que se afasta do humano e se aproxima das instituições, fica tolhido nos seus movimentos e criatividade. Tive curiosidade em verificar se isso consta do seu mapa natal ou se era apenas a minha visão crítica do seu trabalho cinematográfico.

Steven Spilberg [18 Dezembro 1946 - 18:16 - Cincinnati, Ohio, USA - 39 N 09'43''   84 W 27'25''] é um sagitariano, com a Lua em Escorpião e o Ascendente em Câncer. Como podemos perceber no mapa natal de Spielberg esta situação de perder alguma naturalidade e espontaneidade perante as 'instituições', para além daquilo que é óbvio: o homem em si, hoje em dia e aos 66 anos é ele próprio uma enorme instituição no meio cinematográfico mundial.

Desde cedo  Spilberg encontrou o seu ideal [Peixes e Neptuno] que no seu mapa encontra-se na  10ª Casa, a da carreira profissional e do reconhecimento social. Isso é inegável, claro. Não se equivocou, pois sempre soube o que queria fazer como seu ideal íntimo e pessoal: queria trabalhar com «imagens em movimento», ser director e produtor cinematográfico, escrever guiões e histórias para o cinema, dirigir actores. É um caso de sucesso. Como sabem, Peixes tem dois regentes: Júpiter e Neptuno.

Júpiter [o planeta das leis, do que é divino, o expansivo], na sua dupla qualidade de co-regente do seu ideal [Peixes] e regente do seu signo solar tem enorme importância neste mapa. Encontra-se na 5ª Casa, em Escorpião, numa conjunção próxima ao segundo benfeitor do zodíaco, Vénus. Ambos fazem uma quadratura difícil com o dispositor deles, Plutão [regente de Escorpião], que está dominante em Leão, ao lado de Saturno. Plutão é o representante das grandes organizações e instituições. Esta quadratura de Júpiter/Vénus a Plutão é uma das causadoras do constrangimento de Spielberg, nos seus filmes, por instituições, no caso deste filme, da Presidência dos EUA, mesmo numa história que tem cerca de 150 anos.

Mas não podemos ficar por aqui, pois o outro planeta dispositor de Júpiter/Vénus, por ser co-regente de Escorpião, é Marte, que está em Capricórnio, na 6ª Casa. Dá para dizer 'junta-se a fome com a vontade de comer', mas como nada é por acaso, fazem uma semi-quadratura entre si, com uma conjunção entre Marte e o Sol sagitariano de Spielberg.

O outro planeta que rege o ideal de Spielberg é Neptuno, encontra-se em Balança /Libra. O dispositor de Neptuno é Vénus, que já foi analisado no parágrafo anterior, enquanto que o próprio Neptuno está bem enlaçado com Plutão, num belo sextil, dando força à noção interna de 'instituição', de alguma maneira diluindo o poder de Plutão, solvendo e dando a Spielberg, uma noção imprecisa do que é o poder. É muito curioso, vindo de um dos homens mais poderosos da indústria cinematográfica mundial.

Apesar de se passar durante um período de guerra, o foco principal do filme não é guerra. Sem mostrar muitas batalhas, Steven Spielberg focou-se na luta de Abraham Lincoln para conseguir um resultado positivo na votação da 13º Emenda constitucional, que possibilitaria a abolição da escravatura no país. Em uma época sangrenta, Lincoln acreditou que resolvendo a questão da abolição, que era um dos motivos da guerra, bons ventos tomariam o país e a guerra civil acabaria. Foi um facto. Nada pacífico, mas concretizou-se a visão deste político de grande categoria. O que me surpreende, ainda hoje, é saber que Lincoln foi o 1º presidente republicano. É o que dá ter no mapa natal um forte posicionamento de Aquário. Às tantas é um preconceito meu pensar que um republicano, naquela época, não seria favorável à abolição da escravatura. Ou, influenciado pelo filme. Quem sabe?

O grande senhor deste filme, apesar de morto e enterrado é o próprio Abraham Lincoln. O 16º Presidente americano Abraham Lincoln [12 Fevereiro 1809 - 6:54 - Hodgenville, Kentucky, USA - 37 N 34'26''   85 W 44'24''] é aquariano e tem a Lua em Capricórnio e o Ascendente, também em Aquário.

Pensei para comigo: 'António, o homem já desencarnou vai para 150 anos e tu queres analisar os trânsitos dele na cerimónia do Oscar 2013?'. Pois sim, foi isso mesmo que eu fiz. Não foi o Abraham Lincoln quem perdeu na noite dos Oscares. Foi Spielberg quem perdeu, pois esta figura que foi Lincoln só ganhou a favor da humanidade: aboliu a escravatura na América e com isso fez acabar a Guerra Civil Americana, unindo o Norte e o Sul e todos os estados e criando aquilo que hoje se conhece como Estados Unidos da América, tendo sido, de facto, o 1º presidente desta federação de estados, onde a democracia jogou um papel importante.

Muito rapidamente sobre o mapa de Abraham Lincoln: um homem que tem no mapa natal, na sua 1ª Casa, o Sol em Aquário, Mercúrio, Plutão e Júpiter em Peixes e, mais afastada Vénus em Carneiro [Plutão ainda não era conhecido dos astrólogos, mas estava lá, certo, amigos?] recebia em trânsito do mapa dos Oscares apenas isto, em fila indiana, tudo na sua 1ª Casa: Vénus em Aquário, Neptuno, Sol, Quíron, Parte da Fortuna, Marte e Mercúrio em Peixes e Úrano em Carneiro a fazer uma bela conjunção àquela Vénus de fogo natal. Que belo mapa para quem já não está entre nós vai para 150 anos. 

Obviamente, enquanto na vida real, Lincoln soube usar o seu Sol em Aquário, conjunto ao Ascendente para introduzir na vida pública americana os grandes pilares daquilo que é hoje como nação, no filme, Spielberg não teve essa ousadia. A coisa ficou-se por cenas muito bem feitas das inflamadas discussões entre os políticos. Muito Saturno e pouco Úrano/Aquário. É nisto que se percebe que Spielberg como que paralisa perante as instituições.

Spielberg deu mãos largas a Tony Kushner, roteirista do filme, apesar de ser uma celebridade da escrita, fez do guião uma obra meio insana, com muita conversa, muita palha e pouca uva. Que pena. As cenas de acção melhoraram substancialmente. Tony Kushner é um grande dramaturgo com numerosas obras publicadas e representadas, com vários livros em livraria, mas ainda com uma modesta contribuição para o cinema. No entanto, o que havia feito até à data era digno de registo. O resto é mãozinha de Spielberg, que tem a máxima que os seus filmes valem pela  imagem e não pelo texto. E tem sido verdade na maioria dos seus filmes mais humanos. Quando ele entra na política, perde-se e o texto prevalece sobre a imagem, com muitos diálogos, que neste caso são cansativos e podiam ter sido reduzidos para metade que se entenderia perfeitamente a dinâmica do século dezanove, onde os preconceitos raciais eram mais que muitos. 

Quando ouvi falar no filme, muito tempo antes de o ter visto, tive a ideia de analisar a compatibilidade dos mapas de Abraham Lincoln e Steven Spielberg. Essa ideia manteve-se até hoje e até cheguei a pensar em fazer um mapa conjunto, pois lembrei-me do frenesim que foi em 2010, quando se realizou o Congresso de Astrologia em Portugal, em que andava meio mundo muito animados a fazer mapas compostos com o do congresso. Fiquemo-nos pelas compatibilidades e deixemos de lado os mapas compostos. E sem qualquer problema da minha parte, incluo no mapa de Lincoln os planetas Úrano, Neptuno, Plutão e Quíron.

O Sol sagitariano de Spielberg faz uma semi-quadratura ao Úrano escorpiónico de Lincoln. Como poderia este filme ser aquariano? Muito dificilmente conseguiria isso. Esse mesmo Sol faz outra semi-quadratura ao Quíron do presidente, não permitindo que se expressasse em plenitude. O semi-sextil que faz à Lua capricorniana de Lincoln, faz acentuar o peso saturnino no filme.

O Úrano de Lincoln é bastante bombardeado pelo mapa de Spielberg. Assim: a semi-quadratura do Sol, já mencionada atrás; conjunções da Lua e de Quíron; quadraturas de Saturno e Plutão. Para este Úrano poder respirar debaixo da vontade de Spielberg, apenas tem o sonho, com um semi-sextil de Neptuno.

Esse sonho foi procurado por Spielberg, mas não encontrou fundamentos. Como disse mais atrás, o cineasta tem bom ofício, muita qualidade e muito dinheiro para produzir, podendo pagar aos melhores técnicos, conseguindo um filme escorreito e cheio de boa vontade, mas que os membros da Academia [dos Oscares] apesar de sentirem que Abraham Lincoln é um «bem» nacional, também sabem que «Lincoln» não era um 'papabile', não era um vencedor.

Com tanto peso de Saturno é caso para nos interrogarmos, à distância: terão este dois homens uma história cármica conjunta? Não façam muito caso, porque sou eu a especular. Mas que a dúvida ficou instalada em mim, lá isso ficou.

Esta foi a minha primeira experiência ao fazer uma análise astrológica de um filme. Muito agradecido.


.

13 comentários:

Astrid Annabelle disse...
27 de fevereiro de 2013 às 10:53  

Bom dia meu querido António.
Li um vez inteiro.. mas são tantas as informações que terei que voltar muitas vezes...
Considero fantástica essa sua disposição para tal análise... sei que gosta dos dois temas astrologia e cinema... minha modesta opinião: excelente!
Um beijo por enquanto...voltarei.
Astrid Annabelle

Vera Braz Mendes disse...
27 de fevereiro de 2013 às 11:06  

Bom dia !!! Nao sou cinéfila mas na verdade, sempre que vejo um bom filme.... Vivo-o durante alguns momentos :-)

Embora não seja o filme da sua vida, fiquei com vontade de o ver. O tema apaixona-me.
Bj

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2013 às 11:24  

Astrid,

É a 1ª vez que junto o cinema e a astrologia. Oxalá as pessoas gostem. A mim deu-me muito prazer fazê-lo apesar do muito trabalho que ocasionou, mas não podia deixar passar em branco um dos momentos históricos da nossa humanidade.

Muitos beijinhos agradecidos.

A.

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2013 às 11:25  

Olá Vera,

Fiquei animado com a sua opinião. Ainda bem para mim, é sinal que o texto e as informações têm alguma mais valia.

Um beijinho agradecido.

A.

Patrícia Azenha Henriques disse...
27 de fevereiro de 2013 às 12:00  

Gostei muito António. Está aqui muito trabalho. Gostei especialmente da análise dos trânsitos ao Mapa do Lincoln, fes-me lembrar um exercício que propuseste já há uns anos na escola Nova Lis que me surpreendeu muito. Este texto fez-me ter a certeza que juntar a astrologia e o cinema é algo muito natural para ti, pois és conhecedor e um amante do cinema e da astrologia, "feels like second nature to you" ;) Beijinhos

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2013 às 12:12  

Patrícia,

Ainda bem que te lembraste desse exercício, o da canonização de Frei Santa Maria (Nuno Álvares Pereira), que na altura nos animou muito.

É um prazer relembrar estas coisas em retrospectiva.

Beijos de muito agradecimento pela generosidade das tuas palavras.

A.

Susana Vitorino disse...
27 de fevereiro de 2013 às 17:54  

Querido António!

BRILHANTE!

Fizeste aquilo que mais gosto de fazer, mas tenho sido uma grande preguiçosa para escrever sobre, pois gosto mais de palestrar (mas as condições internas ainda estão a afinar).: Juntar o cinema e a astrologia, como sabes, duas das minhas grandes paixões. Mas as condições internas ainda estão a afinar.

Quando vejo determinados filmes faço isto automaticamente, sem pensar muito. Depois, como uma criança, vou brincar com os mapas e as informações e deliro com o que encontro e com as confirmações.

Já há muito tinha "catrapiscado" o mapa do Spielberg, a quem chamo o Mago do cinema. Todo ele é sonho e magia, e é o que deve fazer como realizador. Capta a essência da magia do cinema como ninguém. É um ser humano de pessoas. :-)

Obrigada por este bombom feito com a qualidade que só tu lhe sabes imprimir.

Ficaria aqui HORAS!

Abraço-te forte*


Sarah Moustafa disse...
27 de fevereiro de 2013 às 18:17  



Eu quase que não preciso de dizer que gosto de tão óbvio que o sinto, são estas análises assim que ajudam estudantes a pensar, a observar e partilhar!
Ainda não vi o filme mas espero vê-lo em breve!
Gosto muito da junção do cinema e astrologia por Igual!
Muito Obrigado!

=)

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2013 às 19:16  

Olá querida Susana,

Que bom ter-te lido com a admiração que tenho por ti.

Nem imaginas como me senti bem com as tuas palavras. Fico muito agradecido.

Vou continuar a fazer esta experiência: cinema + astrologia. Gostei da experiência e senti-me muito bem.

Grande beijinho

António

António Rosa disse...
27 de fevereiro de 2013 às 19:17  


Muito obrigado, minha querida. Se vires o filme já tens aqui um olhar, o meu. Depois é só veres com os teus próprios olhos. Esgtive atento ao teu blogue e reparei que estás a entrar no cinema e tv. Muito bom. Quantos mais o fizermos, melhor para todos.

Muito obrigado pelas tuas simpáticas palavras.

Um grande beijinho

António

Susana Vitorino disse...
1 de março de 2013 às 11:59  

Querido António... olha, comovida e sem palavras.

É nestas alturas que gosto do abraço corporeo. Se estivesse ao teu lado não te livravas de uns amassos À boa moda de uma Lua Plutão! :-)

Caramba, se há admiração é mútua! E como me inspiras, sempre!

Fica o desafio de criarmos algo em conjunto sob a égide cinema e astrologia ;-)

Abraço-te muito*

António Rosa disse...
1 de março de 2013 às 17:42  

Querida sUSANA

Estou a enviar-te um abraço mais que corpóreo. Eu senti o teu e espero que sintas este.

Desafio aceite para fazermos algo em conjunto sobre cinema + astrologia. Seria excelente.

1000 beijinhos agradecido.

Táxi Pluvioso disse...
8 de março de 2013 às 23:07  

Spielberg faz cinema ideológico, como não gosto de ser ensinado por americanos, para isso prefiro ler livros, não costumo ver o seu "cinema". E o facto de andar pelos Óscares é mais uma razão, estes são prémios para vender um produto: a indústria cinematográfica americana, que colonizou os europeus.

27 de fevereiro de 2013

'Lincoln', filme de Steven Spielberg - análise astrológica e outros comentários cinematográficos




INFORMAÇÃO AO LEITOR
Quem, por qualquer motivo, estiver interessado apenas
na análise astrológica, pode ir directo até à parte final deste artigo
e iniciar a leitura onde diz, isso mesmo: 'Análise astrológica'.

Para os estudantes de astrologia:
Para além da astrologia, introduzi no texto dezenas de links,
de âmbito histórico ou cinematográfico, para permitir que possa ser
um objecto de estudo aprofundado.


«Lincoln» é uma adaptação do livro biográfico «Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln», de Doris Kearns Goodwin, mas em vez de retratar toda a vida do presidente norte-americano Abraham Lincoln [PT - em português] centra-se apenas nos seus últimos quatro meses de vida, nomeadamente na abolição da escravatura e no fim da Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão. A votação renhida na Câmara dos Representantes pela 13ª Emenda [PT], que ilegaliza a escravatura, é um dos pontos centrais do filme.

Site do filme, aqui.
O filme da Wikipedia, aqui.
O filme no IMBD, aqui.
O filme no Facebook, aqui.

Começo já por afirmar, para não criar equívocos, que gostei moderadamente do filme, apesar de ter uma admiração especial por Steven Spielberg. Não creio que seja um filme fantástico, e nem me seduziu ao ponto de poder afirmar que é um  dos filme da minha vida, como por exemplo, posso afirmar de boca cheia em relação ao notabilíssimo «A Cor Púrpura». Longe disso. Não é, tal como «Amistad» não foi. Assim como  «As Aventuras de Tim Tim» também não o foi. E muitos outros, como a «Guerra dos Mundos», por exemplo. São filmes bem feitos, competentes, com bom ofício, mas longe do fulgor intenso de outros filmes, antigos ou mais recentes. Estes filmes mais recentes são tão 'sérios' que roçam quase o aborrecimento. Apesar disso, estes filmes são fontes de ingressos de bilheteira multi-milionários, por serem de quem são e «Lincoln» não fugirá à regra. Será um filme mais apreciado dentro do território americano, do que a nível global. Apesar de ter sido um mau sintoma que nos Oscar 2013, de 12 candidaturas só tenha conquistado duas estatuetas. Isto deve querer dizer qualquer coisa. Foi pensado para ser um filme para encantar o americano. E reúne condições para isso. É um filme próprio de uma presidência como a de Obama. Com dois temas fascinantes - a abolição da escravatura, e como consequência, a Guerra Civil Americana,  o filme reunia condições para ser uma obra dinâmica, mas perdeu-se algures na discussão política e de costumes da época.

Já que mencionei alguns filmes de Steven Spielberg  é fundamental recordar-me de outras obras que amei: «Tubarão», «Encontros Imediatos de 3º Grau», «1941», o «ET», claro, a série de Indiana Jones, mas também um grande, enorme filme, uma autêntica obra de arte, a todos os níves: «A Cor Púrpura» [The Purple Colour]. Sem esquecer belos filmes como «O Império do Sol», «O Resgate do Soldado Ryan», «Jurassik Park» e o fabuloso «A Lista de Schindler». Isto, para lembrar apenas alguns em que ele foi o realizador / director. Se olhássemos para a sua obra como produtor, esta lista triplicaria.


O filme, das 12 candidaturas aos Oscar, ficou-se apenas 
como o ganhador de duas estatuetas, por isso foi considerado
grande perdedor dos Oscar 2013.


Daniel Day-Lewis [Londres, 29 Abril 1957], [«Meu Pé Esqerdo» e «Haverá Sangue»] já tinha ganho dois Oscars, e conquistou o 3º Oscar de Melhor Actor com «Lincoln», proeza que o colocou na categoria de triplo vencedor ao lado de Ingrid Bergman, Walter Brennan, Jack Nicholson e Meryl Streep. Katharine Hepburn é a recordista com quatro prémios. Nunca é demais realçar que 'estatísticas' não fazem 'arte'. Há muitíssimos bons actores que nunca receberam nenhum Oscar. A vantagem para o actor é a subida vertiginosa nos seus cachets futuros.

Com Sally Field [6 Novembro 1946 - 4h23 - Pasadena, California, USA], [«Norma Rae» e «Um Lugar no Coração»] passava-se o mesmo. Já tinha 2 Oscar e se tivesse ganho a sua candidatura com «Lincoln», ficaria no restrito panteão da glória dos ganhadores de 3 estatuetas.

Steven Spielberg já foi nomeado sete vezes na categoria de melhor realizador e venceu por duas vezes. Se tivesse ganho o terceiro Oscar igualaria Frank Capra e William Wyler. John Ford continua a ser o mais premiado com quatro Oscar nesta categoria.




Steven Spielberg

Na foto, à direita, Steven Spielberg na companhia de Daniel Day-Lewis
[Londres, 29 Abril 1957] o actor britânico que interpreta o papel de
Abraham Lincoln
Steven Spielberg
18 Dezembro 1946
18:16
Cincinnati, Ohio, USA
[Standard time, 5h West time zone]
39 N 09'43''   84 W 27'25''

Sol em Sagitário, Lua em Escorpião e Ascendente em Caranguejo.

Mapa natal de Steven Spielberg.
Clicar para aumentar e ver melhor.

Abraham Lincoln
[ver Wikipedia]

Retrato de Abraham Lincoln, de 1858.
Abraham Lincoln
12 Fevereiro 1809
6:54
Hodgenville, Kentucky, USA
[Local mean time]
37 N 34'26''   85 W 44'24''

Foi o 16º Presidente dos Estados Unidos, de Março de 1861,
até ao dia em que foi assassinado, a 15 de Abril de 1865.

Mapa natal de Abraham Lincoln,
Clicar para aumentar e ver melhor.


Época real que é retratada no filme:
Washington, de Dezembro 1864 a 15 Abril 1865
38 N 53'42''   77 W 02'12''
[Local mean time]


Estreia mundial do filme


Na foto, da esquerda para a direita: a actriz Sally Field, o guionista Tony Kushner, o director/produtor  Steven Spielberg,  o actor Daniel Day-Lewis, a produtora Kathleen Kennedy e a autora do livro Doris Kearns Goodwin na estreia oficial do filme «Lincoln», no Grauman's Chinese Theatre, a 8 Novembro 2012, em Hollywood. Produção e distribuição de: DreamWorks II Distribution Co., LLC e Twentieth Century Fox Film Corporation. (Foto by Eric Charbonneau/WireImage)

8 Novembro 2012 - 20h30
Hollywood, California, USA
34 N 05'54''   118 W 19'33''


Cerimónia de atribuição do Oscar em 2013



85ª cerimónia do Oscar
Academia de Artes e Ciências Cinematográficas
(Academy of Motion Pictures Arts and Sciences - AMPAS)
 No Dolby Theatre
(antigo Kodak Theatre)

24 Fevereiro 2013 - 19h00
[a red carpet começou às 17h00]
Los Angeles, California, USA
34 N 03'08''   118 W 14'34'


Acima: vários prémios conquistados pelo filme, até aos Oscares 2013.


Diálogo numa cena do filme:

- "Mrs. Lincoln." Tommy Lee Jones como Thaddeus Stevens.
- "Madam President, if you please." Sally Field como Mary Todd Lincoln.


Análise astrológica

«Lincoln», filme de Steven Spielberg - análise astrológica



Análise da vitória de Daniel Day-Lewis 

Antes de avançar com o filme propriamente dito, e já que Daniel Day-Lewis ganhou a estatueta de Melhor Actor no Oscar 2013, vou escrever aqui algumas linhas sobre a conjuntura astrológica do actor.

Daniel Day-Lewis nasceu em Londres, 29 Abril 1957, não se sabe a hora de nascimento, por isso não se podem analisar as Casas dos seus mapas. No início da cerimónia [24 Fev 2013 - 19h00 - Los Angeles] a Lua dos Oscars, magnífica em Leão, a exigir reconhecimento, palco e um enorme holofote apontado para o actor, fazia uma magnífica conjunção ao Plutão do actor, a dar-lhe um poder imenso, obtido no final da cerimónia com os mais de 3.000 presentes a aplaudirem de pé e as televisões a transmitirem para mais de 1 bilião de pessoas em todo o mundo.

Senhores professores de astrologia, para explicarem a Lua em Leão, nada como usarem este exemplo na vida de Daniel Day-Lewis. A mesma Lua fazia um excelente trígono à Lua natal do actor, em Touro [ele emocionou-se muito] e um sextil a Marte em Gémeos [energia bem conduzida]. Júpiter, o expansivo, em Gémeos, fazia um semi-sextil ao Sol em Touro, a reforçar aquela magnífica Lua. A terminar, apenas para realçar que o Plutão dos Oscares, em Capricórnio fazia dois trígono, um ao Sol do actor,  e outro a Vénus, ambos em Touro a conferir poder e encantamento, forçando Saturno a comportar-se muito bem, apesar de alguns aspectos mais dissonantes.

«Lincoln», o filme

«Lincoln» tenta retratar os últimos quatro meses de vida do presidente americano Abraham Lincoln [PT - em português]  nomeadamente na abolição da escravatura e no fim da Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão  A votação renhida na Câmara dos Representantes pela 13ª Emenda [PT]  que ilegaliza a escravatura, é um dos pontos centrais do filme.

É uma obra muito bem contada, mas que lhe falta a 'mão fulgurante' de Spielberg, mostrando-nos apenas a sua enorme capacidade no ofício cinematográfico. Começo já por afirmar que gostei moderadamente do filme. No entanto, não creio que seja um filme fantástico, e não me seduziu ao ponto de poder afirmar que é um dos filmes da minha vida. Não é, não.

Fiquei surpreendido na longa noite dos Oscares 2013 [para quem vive na Europa, é uma longa noite] ao constatar que o filme «Lincoln» de Steven Spielberg, candidato a 12 estatuetas, terminou o evento como o grande perdedor da noite, com apenas 2 estatuetas. Fiquei surpreendido, de facto, porque não olhei para a relação entre o mapa de Steven Spielberg e o mapa do evento em si, os Oscares 2013. Se o tivesse feito, teria percebido que as coisas não iriam correr bem para o cineasta. Mas fiei-me na fama do director e, sobretudo no personagem central da obra: o 16º Presidente da América, Abraham Lincoln, que é uma figura fascinante. Aqui foi óbvio que a minha condição de cinéfilo foi superior à minha curiosidade astrológica. O que fiz depois, poderia ter feito antes: relacionar os dois mapas. É a aprendizagem de se viver em harmonia.

Os 2 prémios atribuídos ao filme foram um para Daniel Day-Lewis com o Oscar de Melhor Actor e um prémio técnico, para 'Production Designer - Direcção de Arte' [Rick Carter e Jim Erickson], bem merecido, por sinal. As premiações anteriores ao Oscar, foram todas para os actores: o Golden Globe, o Screen Actors Guild e o Critics Choice foram para Daniel Day-Lewis. Tommy Lee Jones também foi premiado pelo Screen Actors Guild, como Melhor Actor Codjuvante. O filme também é um sucesso comercial, tendo arrecadou até à data dos Oscares, mais de 244 milhões dólares em bilheteira. Imagine-se quando passar para DVD, downloads em tv por cabo ou passar nos canais generalistas de televisão. E, claro, toda a merchandising à volta do assunto.

O mapa dos Oscares 2013 [24 Fevereiro 2013 - 19h00 - Los Angeles, California - USA - 34 N 03'08''   118 W 14'34'] não estava nada favorável ao mapa de Spielber [18 Dezembro 1946 - 18:16 - Cincinnati, Ohio, USA - 39 N 09'43''   84 W 27'25''], que das duas uma, ou aprendeu uma lição de vida, ou ainda está a analisar o que lhe aconteceu. Bom, isto para uma criatura comum poderia ser ficar na penúria, não é o caso para Spielberg, que continuará a ver as suas receitas a entrarem com regularidade. Apenas o ego foi abalado.

Se analisarmos o Saturno do mapa dos Oscares e o que está a fazer ao mapa de Stevem Spielberg é caso para dizermos que um problema nunca vem só. Vejamos: esse Saturno faz uma semi-quadratura ao Sol de Spielberg [simplificando: a abanar o ego], a afastar-se de uma forte conjunção à Lua [uma enorme dor de alma], uma quadratura a Saturno [mas então quem é que manda aqui?] e uma quadratura a Plutão [daqui não passas], muitos assuntos cármicos a serem resolvidos, eventualmente com o próprio Abraham Lincoln [especulando]. Também vai a caminho de uma conjunção com Júpiter, claramente a avisar que as coisas serão feitas como Cronos [Saturno] entende e não da forma grandiosa de Zeus [Júpiter]. Mas temos o Plutão do evento a fazer uma quadratura a Neptuno de Steven Spielberg, dizendo-lhe que não era hora de sonhar; bem mais eficaz era a oposição que Plutão fazia ao Ascendente do cineasta, a paralisar o que estivesse em andamento. Esta é uma breve leitura e não tenho espaço para mais.

É difícil escapar ao peso histórico do tema do filme, fazendo que não haja espaço para fugir ao peso dos acontecimentos conhecidos. «Lincoln» não foge a esta regra, apesar do notável esforço feito pelo actor Daniel Day-Lewis, para tornar este personagem mais humano, mais multidimensional, na sua qualidade de 16º Presidente do EUA, que ainda por cima conseguiu abolir a escravidão e terminar a Guerra Civil, tendo sido assassinado semanas depois.

Esta é a parte central da minha visão: Parece que Spielberg, sempre que se afasta do humano e se aproxima das instituições, fica tolhido nos seus movimentos e criatividade. Tive curiosidade em verificar se isso consta do seu mapa natal ou se era apenas a minha visão crítica do seu trabalho cinematográfico.

Steven Spilberg [18 Dezembro 1946 - 18:16 - Cincinnati, Ohio, USA - 39 N 09'43''   84 W 27'25''] é um sagitariano, com a Lua em Escorpião e o Ascendente em Câncer. Como podemos perceber no mapa natal de Spielberg esta situação de perder alguma naturalidade e espontaneidade perante as 'instituições', para além daquilo que é óbvio: o homem em si, hoje em dia e aos 66 anos é ele próprio uma enorme instituição no meio cinematográfico mundial.

Desde cedo  Spilberg encontrou o seu ideal [Peixes e Neptuno] que no seu mapa encontra-se na  10ª Casa, a da carreira profissional e do reconhecimento social. Isso é inegável, claro. Não se equivocou, pois sempre soube o que queria fazer como seu ideal íntimo e pessoal: queria trabalhar com «imagens em movimento», ser director e produtor cinematográfico, escrever guiões e histórias para o cinema, dirigir actores. É um caso de sucesso. Como sabem, Peixes tem dois regentes: Júpiter e Neptuno.

Júpiter [o planeta das leis, do que é divino, o expansivo], na sua dupla qualidade de co-regente do seu ideal [Peixes] e regente do seu signo solar tem enorme importância neste mapa. Encontra-se na 5ª Casa, em Escorpião, numa conjunção próxima ao segundo benfeitor do zodíaco, Vénus. Ambos fazem uma quadratura difícil com o dispositor deles, Plutão [regente de Escorpião], que está dominante em Leão, ao lado de Saturno. Plutão é o representante das grandes organizações e instituições. Esta quadratura de Júpiter/Vénus a Plutão é uma das causadoras do constrangimento de Spielberg, nos seus filmes, por instituições, no caso deste filme, da Presidência dos EUA, mesmo numa história que tem cerca de 150 anos.

Mas não podemos ficar por aqui, pois o outro planeta dispositor de Júpiter/Vénus, por ser co-regente de Escorpião, é Marte, que está em Capricórnio, na 6ª Casa. Dá para dizer 'junta-se a fome com a vontade de comer', mas como nada é por acaso, fazem uma semi-quadratura entre si, com uma conjunção entre Marte e o Sol sagitariano de Spielberg.

O outro planeta que rege o ideal de Spielberg é Neptuno, encontra-se em Balança /Libra. O dispositor de Neptuno é Vénus, que já foi analisado no parágrafo anterior, enquanto que o próprio Neptuno está bem enlaçado com Plutão, num belo sextil, dando força à noção interna de 'instituição', de alguma maneira diluindo o poder de Plutão, solvendo e dando a Spielberg, uma noção imprecisa do que é o poder. É muito curioso, vindo de um dos homens mais poderosos da indústria cinematográfica mundial.

Apesar de se passar durante um período de guerra, o foco principal do filme não é guerra. Sem mostrar muitas batalhas, Steven Spielberg focou-se na luta de Abraham Lincoln para conseguir um resultado positivo na votação da 13º Emenda constitucional, que possibilitaria a abolição da escravatura no país. Em uma época sangrenta, Lincoln acreditou que resolvendo a questão da abolição, que era um dos motivos da guerra, bons ventos tomariam o país e a guerra civil acabaria. Foi um facto. Nada pacífico, mas concretizou-se a visão deste político de grande categoria. O que me surpreende, ainda hoje, é saber que Lincoln foi o 1º presidente republicano. É o que dá ter no mapa natal um forte posicionamento de Aquário. Às tantas é um preconceito meu pensar que um republicano, naquela época, não seria favorável à abolição da escravatura. Ou, influenciado pelo filme. Quem sabe?

O grande senhor deste filme, apesar de morto e enterrado é o próprio Abraham Lincoln. O 16º Presidente americano Abraham Lincoln [12 Fevereiro 1809 - 6:54 - Hodgenville, Kentucky, USA - 37 N 34'26''   85 W 44'24''] é aquariano e tem a Lua em Capricórnio e o Ascendente, também em Aquário.

Pensei para comigo: 'António, o homem já desencarnou vai para 150 anos e tu queres analisar os trânsitos dele na cerimónia do Oscar 2013?'. Pois sim, foi isso mesmo que eu fiz. Não foi o Abraham Lincoln quem perdeu na noite dos Oscares. Foi Spielberg quem perdeu, pois esta figura que foi Lincoln só ganhou a favor da humanidade: aboliu a escravatura na América e com isso fez acabar a Guerra Civil Americana, unindo o Norte e o Sul e todos os estados e criando aquilo que hoje se conhece como Estados Unidos da América, tendo sido, de facto, o 1º presidente desta federação de estados, onde a democracia jogou um papel importante.

Muito rapidamente sobre o mapa de Abraham Lincoln: um homem que tem no mapa natal, na sua 1ª Casa, o Sol em Aquário, Mercúrio, Plutão e Júpiter em Peixes e, mais afastada Vénus em Carneiro [Plutão ainda não era conhecido dos astrólogos, mas estava lá, certo, amigos?] recebia em trânsito do mapa dos Oscares apenas isto, em fila indiana, tudo na sua 1ª Casa: Vénus em Aquário, Neptuno, Sol, Quíron, Parte da Fortuna, Marte e Mercúrio em Peixes e Úrano em Carneiro a fazer uma bela conjunção àquela Vénus de fogo natal. Que belo mapa para quem já não está entre nós vai para 150 anos. 

Obviamente, enquanto na vida real, Lincoln soube usar o seu Sol em Aquário, conjunto ao Ascendente para introduzir na vida pública americana os grandes pilares daquilo que é hoje como nação, no filme, Spielberg não teve essa ousadia. A coisa ficou-se por cenas muito bem feitas das inflamadas discussões entre os políticos. Muito Saturno e pouco Úrano/Aquário. É nisto que se percebe que Spielberg como que paralisa perante as instituições.

Spielberg deu mãos largas a Tony Kushner, roteirista do filme, apesar de ser uma celebridade da escrita, fez do guião uma obra meio insana, com muita conversa, muita palha e pouca uva. Que pena. As cenas de acção melhoraram substancialmente. Tony Kushner é um grande dramaturgo com numerosas obras publicadas e representadas, com vários livros em livraria, mas ainda com uma modesta contribuição para o cinema. No entanto, o que havia feito até à data era digno de registo. O resto é mãozinha de Spielberg, que tem a máxima que os seus filmes valem pela  imagem e não pelo texto. E tem sido verdade na maioria dos seus filmes mais humanos. Quando ele entra na política, perde-se e o texto prevalece sobre a imagem, com muitos diálogos, que neste caso são cansativos e podiam ter sido reduzidos para metade que se entenderia perfeitamente a dinâmica do século dezanove, onde os preconceitos raciais eram mais que muitos. 

Quando ouvi falar no filme, muito tempo antes de o ter visto, tive a ideia de analisar a compatibilidade dos mapas de Abraham Lincoln e Steven Spielberg. Essa ideia manteve-se até hoje e até cheguei a pensar em fazer um mapa conjunto, pois lembrei-me do frenesim que foi em 2010, quando se realizou o Congresso de Astrologia em Portugal, em que andava meio mundo muito animados a fazer mapas compostos com o do congresso. Fiquemo-nos pelas compatibilidades e deixemos de lado os mapas compostos. E sem qualquer problema da minha parte, incluo no mapa de Lincoln os planetas Úrano, Neptuno, Plutão e Quíron.

O Sol sagitariano de Spielberg faz uma semi-quadratura ao Úrano escorpiónico de Lincoln. Como poderia este filme ser aquariano? Muito dificilmente conseguiria isso. Esse mesmo Sol faz outra semi-quadratura ao Quíron do presidente, não permitindo que se expressasse em plenitude. O semi-sextil que faz à Lua capricorniana de Lincoln, faz acentuar o peso saturnino no filme.

O Úrano de Lincoln é bastante bombardeado pelo mapa de Spielberg. Assim: a semi-quadratura do Sol, já mencionada atrás; conjunções da Lua e de Quíron; quadraturas de Saturno e Plutão. Para este Úrano poder respirar debaixo da vontade de Spielberg, apenas tem o sonho, com um semi-sextil de Neptuno.

Esse sonho foi procurado por Spielberg, mas não encontrou fundamentos. Como disse mais atrás, o cineasta tem bom ofício, muita qualidade e muito dinheiro para produzir, podendo pagar aos melhores técnicos, conseguindo um filme escorreito e cheio de boa vontade, mas que os membros da Academia [dos Oscares] apesar de sentirem que Abraham Lincoln é um «bem» nacional, também sabem que «Lincoln» não era um 'papabile', não era um vencedor.

Com tanto peso de Saturno é caso para nos interrogarmos, à distância: terão este dois homens uma história cármica conjunta? Não façam muito caso, porque sou eu a especular. Mas que a dúvida ficou instalada em mim, lá isso ficou.

Esta foi a minha primeira experiência ao fazer uma análise astrológica de um filme. Muito agradecido.


.

13 comentários:

Astrid Annabelle disse...

Bom dia meu querido António.
Li um vez inteiro.. mas são tantas as informações que terei que voltar muitas vezes...
Considero fantástica essa sua disposição para tal análise... sei que gosta dos dois temas astrologia e cinema... minha modesta opinião: excelente!
Um beijo por enquanto...voltarei.
Astrid Annabelle

Vera Braz Mendes disse...

Bom dia !!! Nao sou cinéfila mas na verdade, sempre que vejo um bom filme.... Vivo-o durante alguns momentos :-)

Embora não seja o filme da sua vida, fiquei com vontade de o ver. O tema apaixona-me.
Bj

António Rosa disse...

Astrid,

É a 1ª vez que junto o cinema e a astrologia. Oxalá as pessoas gostem. A mim deu-me muito prazer fazê-lo apesar do muito trabalho que ocasionou, mas não podia deixar passar em branco um dos momentos históricos da nossa humanidade.

Muitos beijinhos agradecidos.

A.

António Rosa disse...

Olá Vera,

Fiquei animado com a sua opinião. Ainda bem para mim, é sinal que o texto e as informações têm alguma mais valia.

Um beijinho agradecido.

A.

Patrícia Azenha Henriques disse...

Gostei muito António. Está aqui muito trabalho. Gostei especialmente da análise dos trânsitos ao Mapa do Lincoln, fes-me lembrar um exercício que propuseste já há uns anos na escola Nova Lis que me surpreendeu muito. Este texto fez-me ter a certeza que juntar a astrologia e o cinema é algo muito natural para ti, pois és conhecedor e um amante do cinema e da astrologia, "feels like second nature to you" ;) Beijinhos

António Rosa disse...

Patrícia,

Ainda bem que te lembraste desse exercício, o da canonização de Frei Santa Maria (Nuno Álvares Pereira), que na altura nos animou muito.

É um prazer relembrar estas coisas em retrospectiva.

Beijos de muito agradecimento pela generosidade das tuas palavras.

A.

Susana Vitorino disse...

Querido António!

BRILHANTE!

Fizeste aquilo que mais gosto de fazer, mas tenho sido uma grande preguiçosa para escrever sobre, pois gosto mais de palestrar (mas as condições internas ainda estão a afinar).: Juntar o cinema e a astrologia, como sabes, duas das minhas grandes paixões. Mas as condições internas ainda estão a afinar.

Quando vejo determinados filmes faço isto automaticamente, sem pensar muito. Depois, como uma criança, vou brincar com os mapas e as informações e deliro com o que encontro e com as confirmações.

Já há muito tinha "catrapiscado" o mapa do Spielberg, a quem chamo o Mago do cinema. Todo ele é sonho e magia, e é o que deve fazer como realizador. Capta a essência da magia do cinema como ninguém. É um ser humano de pessoas. :-)

Obrigada por este bombom feito com a qualidade que só tu lhe sabes imprimir.

Ficaria aqui HORAS!

Abraço-te forte*


Sarah Moustafa disse...



Eu quase que não preciso de dizer que gosto de tão óbvio que o sinto, são estas análises assim que ajudam estudantes a pensar, a observar e partilhar!
Ainda não vi o filme mas espero vê-lo em breve!
Gosto muito da junção do cinema e astrologia por Igual!
Muito Obrigado!

=)

António Rosa disse...

Olá querida Susana,

Que bom ter-te lido com a admiração que tenho por ti.

Nem imaginas como me senti bem com as tuas palavras. Fico muito agradecido.

Vou continuar a fazer esta experiência: cinema + astrologia. Gostei da experiência e senti-me muito bem.

Grande beijinho

António

António Rosa disse...


Muito obrigado, minha querida. Se vires o filme já tens aqui um olhar, o meu. Depois é só veres com os teus próprios olhos. Esgtive atento ao teu blogue e reparei que estás a entrar no cinema e tv. Muito bom. Quantos mais o fizermos, melhor para todos.

Muito obrigado pelas tuas simpáticas palavras.

Um grande beijinho

António

Susana Vitorino disse...

Querido António... olha, comovida e sem palavras.

É nestas alturas que gosto do abraço corporeo. Se estivesse ao teu lado não te livravas de uns amassos À boa moda de uma Lua Plutão! :-)

Caramba, se há admiração é mútua! E como me inspiras, sempre!

Fica o desafio de criarmos algo em conjunto sob a égide cinema e astrologia ;-)

Abraço-te muito*

António Rosa disse...

Querida sUSANA

Estou a enviar-te um abraço mais que corpóreo. Eu senti o teu e espero que sintas este.

Desafio aceite para fazermos algo em conjunto sobre cinema + astrologia. Seria excelente.

1000 beijinhos agradecido.

Táxi Pluvioso disse...

Spielberg faz cinema ideológico, como não gosto de ser ensinado por americanos, para isso prefiro ler livros, não costumo ver o seu "cinema". E o facto de andar pelos Óscares é mais uma razão, estes são prémios para vender um produto: a indústria cinematográfica americana, que colonizou os europeus.

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